Poesias

Adriano Parahyba

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Poema Noturno Sem Título

Uma noite fria e escura
Pela janela, luzes de um mundo lá fora brigam com a penumbra
E não terás medo
A qualquer momento, uma voz tenebrosa e longe
nos confins da imaginação sacode o aconchego
E não terás medo
No quarto ao lado dorme alguém que te ama
Haverá sempre um espaço na cama
Onde não terás frio, coberto de amor
Estarás morno e calmo como o vapor
As sirenes tocam, estrondos sufocam
Pneus estridentes dilaceram o asfalto
E não terás medo
Porque tudo estará distante como a inocência
Um dia, porém, terás medo
E o mundo outrora longe será tua casa
Onde buscarás vitaminas, amor e até outra cama
Se conseguires alguém que te ama
Acordarás no meio da noite porque alguém te chama

Vida do Artista

Nasce,
Cresce,
Produz,
E nunca morre!

Soneto do "Eu te Amo"

Digo-lhe em poucas palavras singelas
Ao pé da sua orelha furada e doce
Que te adoro. As minhas frases, delas
Não digo quanto amor ela me trouxe

"Eu te amo" é muito incapaz. Para que
Um apaixonado declarado caia
No recitar de um velho clichê
O afeto ajuda uma poesia precária

Para que eu lhe ofereça muito mais
Mostrando um coração em harmonia
Não lhe basta palavras banais

Agora que entendi o que eu não via
Canto e recito em trocas labiais
Para que tu entenda e sorria

Versus


Não sei se canto, grito, choro, creio
Ou pensar onde ficar é mais válido
No meu abrigo onde continuo impávido
Ou peitar as frustrações que receio

Sobre o chão brilhante, pessoas formosas
Limpam meus olhos sujos de tristeza
Como a vida é de tamanha beleza
E ao mesmo tempo tão desastrosa?

Sob o céu reluzente, sinto veemente
Um mundo lindo de onde vem a graça
Respiro o ar da vida, um presente

O pranto é um mal de nossa raça
Esquecerei o que logrei brevemente
Sentindo o ímpeto de nossa desgraça

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