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| Tarde no Campo Ver a tarde, afinal... e as quérulas avenas de um rancho de zagais , em chorosa surdina, põem trêmulos de dor, de saudades terrenas, no claro-escuro da tristeza vespertina... Ao dorido langor de agrestes cantilenas, a lâmpada do ocaso as coisa ilumina; o crepúsculo entreabre as rosas e as verbenas, como a interrogação da dúvida divina. Longe, a tarde se estorce, em violácea agonia. Essas horas de susto e de melancolia, como é triste ao pastor transviado compreendê-los! Pelas moitas sem luz, pelos ermos escampos, com cabelos de luar e olhos de pirilampos, desce a Noite, tangendo o rebanho de estrelas... Metamorfose Meu avô foi buscar prata mas a prata virou índio. Meu avô foi buscar índio mas o índio virou ouro. Meu avô foi buscar ouro mas o ouro virou terra. Meu av6o foi buscar terra mas a terra virou fronteira. Meu avô, ainda intrigado, foi modelar a fronteira: E o Brasil tomou forma de harpa. |
Desejo As coisas que não conseguem morrer só por isso são chamadas eternas. As estrelas, dolorosas lanternas que não sabem o que é deixar de ser. Ó força incognoscível que governas o meu querer, como o meu não-querer. Quisera estar entre as simples luzernas que morreram no primeiro entardecer. Ser deus- e não as coisas mais ditosas Quanto mais breves, como são as rosas - é não sonhar, é nada mais obter. Ó alegria dourada de o não ser entre as coisas que são, e as nebulosas, que não conseguem dormir nem morrer. Relógio de Pêndulo Nada melhor do que um relógio antigo pra quem cultive a graça das demoras. Um relógio que, por absurdo e ambíguo marque mais os outroras que os agoras. Um monstro tardo, não obstante assíduo, que acuse mais os anos do que as horas. E mais viva atrasado no castigo que a me indagar na pressa: por que choras? O que mandei comprar a um velho avaro é assim - memória no desassossego. Gorjeia às vezes mais do que um canário. Relógio sub-reptício que (morcego) chupa o meu sangue mas, em cada brecha, as asas dos ponteiros abre e fecha... A Física do Susto O espelho caiu da parede. Caiu com ele o meu rosto. Com o meu rosto a minha sede. com a minha sede o meu desgosto. O meu desgosto de olhar, no espelho caído, o meu rosto. |