Interpoetica - FRANCISCO BERNADINO RIBEIRO

FRANCISCO BERNADINO RIBEIRO

Ode 

Eu vi um homem?... ou me ilude a mente!
Que horror que eu sito!... Homem! não, não eras,
Tranqüilo fraticida.
Como pudeste, ó monstro,
Áridos olhos atentar na vítima
Desfalecida, enxague?

Como pudeste impávido roubar-lhe 
Miseranda existência co'os redobres
De angústias repetidas,
Sem o brado ouvires,
Que dentro d'alma rompe, e clama: "É homem,
E homem desgraçado?!"

Como pudeste sem arrepiar-te 
As carnes frio horror? SEm ver diante
Squálido fantasma
Habitador dos túmulos,
Co'a mirrada mão prender-te os braços,
"É teu irmão!" - clamar-te?

Qu'é desse coração, que o ser te alenta?
Inda palpita? Não. Quente de crimes
O sangue infeccionado 
Dispara só arrancos.
E cada arranco ordena um atentado.
Deixaste de ser homem!

És aborto do inferno, ente perverso,
Nasceste apenas para ser vergonha,
Opróbrio da existência.
É mais que tu ditoso
Aquele que arrojaste à sepultura
Que tuas mãos cavaram.

Esse ostentou furores desastrosos:
Mas não mostrou à face do Universo,
Que surdo à natureza,
Já saciado tigre,
Em paz - co'as garras meneava a morte 
Para extinguir humanos!

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