Interpoetica - Emiliano David Perneta

Emiliano David Perneta

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Fogo sagrado

Ao pôr do Sol - que é uma falua
De vela para o Pesadelo...
Calção de rendas amarelo
Fino gibão, cabeça nua,

Ei-lo! Não sei que sete-estrelo
Cobre-o! Não sei que azul flutua!
Montado num ginete em pelo
A par e passo com a lua!

Seguiu, ligeiro, ligeiro;
Passam cavalo e cavaleiro
Um rodamoinho de escarcéus!...

É como um ciclone violento!
Olhai! Que vão o Sol e o Vento
Arrebatá-lo para os Céus!
Vencidos

Nós ficaremos, como os menestréis da rua,
Uns infames reais, mendigos por incúria,
Agoureiros da Treva, adivinhos da Lua,
Desferindo ao luar cantigas e penúria?

Nossa cantiga irá conduzir-nos à tua
Maldição, ó Roland?... E. mortos pela injúria,
Mortos, bem mortos, e, mudos, a frente nua,
Dormiremos ouvindo uma estranha lamúria?

seja. Os grandes um dia hão de cair de bruço...
Hão de os grandes rolar dos palácios infectos!
E glória à fome dos vermes concupiscentes!

Embora, nós também, nós, num rouco soluço,
Corda a corda, o violão dos nervos inquietos
Partamos! inquietando as estréias dormentes!

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