Solitário
A
criatura olha o céu.
Não resiste à divagação...
Nuvens vagas, sem chuvas,
Contam o tempo dos sonhos.
Pingos de pensamento
Idealizam formas e odores...
A mão fulgás
procura êxtase solitário.
O pensamento torrencial
Encoraja o fôlego perdido.
Olhos fechados são lágrimas
De sucesso.
Flerte
Não
ficariam as palavras,
Assim, jogadas ao espaço,
Como estrelas de brilho
estagnado, n’uma noite
em que o pensamento
não se mostra tão claro
Quanto a luz
De um olhar disfarçado.
As
palavras, então,
Viriam casuais,
Sem o tempo de serem lapidadas.
Viriam como românticas
Palavras, sem o frio
Da métrica trabalhada
Seriam, na verdade, como um coração
Roubado por um olhar furtivo,
Por um inesperado sorriso convidativo
As
palavras seriam ditas
Como n’um repente poético;
Como n’um poema sincero...
E seriam aceitas como
Sinceras palavras...
E retribuídas com doces afagos.