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| Sonetos -- Passaste como estrela matutina, Que se some na luz pura da aurora; Da vida só viveste aquela hora Em que a existência em flor luz sem neblina. Ver-te e perde-te! De tão triste sina Não passa a mágoa em mim, antes piora; Sem ver-te já, minh'alma inda te adora Em triste culto que a saudade ensina. Não vivo aqui; a vida em ti só ponho, Na fé, de Cristo filha, a dor do abrigo, Futuro em ti no céu vejo risonho! Neste mundo, meu mundo é teu jazigo; Dizem que a vida é triste e falaz sonho, se é sonho a vida, sonharei contigo. |
Tristezas de minh'alma tão sentidas, Que sois doces memórias do passado, Do tempo já vivido, e tão lembrado, Inda me dais as horas já perdidas! Horas de tanto bem, tão bem vividas, Quando vivi feliz e descuidado, Sejam ao coração desenganado Sonhos que enganem dores tão gemidas. Tem hoje o meu viver tal agonia, Que é doçura a tristeza da saudade, E a saudade do tempo é poesia. Flores da quadra sois da mocidade, Minha velhice em vós se refugia, Tristeza de minh'alma em soledade... |