Interpoetica - Verônica Holanda

Verônica Holanda

Teu corpo

Que corpo tu tens, oh! Que primor...
Que contorno harmonioso, tão perfeito
Parece que teu corpo só foi feito
Para as loucuras divinas do amor

Outras falam de teu corpo, amor
Também é com razão e com desejo
Pois não vêem um único defeito
Neste teu corpo lindo e tentador

Perdoa-me se te digo francamente
Que te queria ter diante a vista
Nu de todo, nu inteiramente

Não por devassa, embora assim pareça
Mas para que em teu corpo não exista
Um milímetro só que eu não conheça.
Ser e não ser

Quando te procuro, fujo em avistar-te
E se te quero, evito mais querer-te
Desejo quase... quase aborrecer-te
E se te fujo, estás em toda parte

Distante, corro logo a procurar-te
E perco a voz e fico muda ao ver-te
Ao lembrar de ti, tento esquecer-te
E se te esqueço, cuido mais em amar-te

O pensamento assim partido ao meio
E o coração assim também partido
Chamo-te e fujo
Quero-te e receio.

Desejo

Em meus sonhos vejo-te
Falo-te, amo-te
Teus lábios em meus lábios, sinto-os
E teu corpo em meu corpo, tenho tacto

Mas, que será isto?
Se a tempo não te vejo?
Será solidão, ânsia
Ou loucura?

Não, querido,
Nada disto,
Tudo é paixão
Tudo é amor
Tudo é desejo.

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